Skip to content

Elthavus, a Matriarca Verde

Elthavus era a matriarca e líder druída da tribo Casco-Verde, uma comunidade tribal de centauros que frequentava as planícies e matas da ilha Nenakari, em Iblydos. Famosa pelo seu conhecimento sobre plantas medicinais, a matriarca liderava as andanças do seu bando ajudando os outros povos da ilha que sofriam com doenças, pestes, ou colheitas magras. Sua devoção ao mundo natural lhe permitiu canalizar suas energias, fazendo com que a sua tribo prosperasse sobre as sombras do Monte Ebaio, onde ficava o principal assentamento do bando. Sempre bem-humorada, a velha centaura adorava dar aulas de alquimia para as mulheres da tribo, transmitindo seus conhecimentos sobre plantas junto com o seu amor por tudo que cresce sobre o sol. Não era raro ouvir suas gargalhadas roucas quando uma de suas alunas passava mal depois de experimentar uma infusão de plantas que se tornou tóxica por excesso de ingredientes. "Respeite a natureza e a sua história! Cada poção ministrada carrega consigo infindáveis ciclos de renovação natural" - costumava dizer para aqueles que só reconheciam a alquimia pelo seus fins práticos. Além de sábia, era também uma líder espiritual admirada por todos, responsável pelas cerimônias de passagem que marcam os ciclos de nascimento e morte.

Durante uma cavalgada com o seu bando de caça, Elthavus começou a sentir um grande distúrbio no equilíbrio natural da ilha, pressentindo que um grande perigo se avizinhava. Logo seus temores se concretizaram, quando violentos terremotos começaram a ser sentidos por todos, assustando a vida selvagem, que corria sem rumo para o sul. Entrando em comunhão com a terra, percebeu a origem de todo o desequilíbrio: forças malígnas das profundesas estavam transformando a energia elemental que existia debaixo do Monte Ebaio num reagente altamente volátil e explosivo, lava. O que antes era um sereno monte verdejante, subitamente se transformou em um agressivo vulcão, expelindo uma avalanche de verdadeiros titãs de pedra e fogo, enquanto acobertava o céu limpo de primavera em uma sufocante onda de fumaça escura.

Toda a vida na ilha corria um perigo mortal, e a arquidruida não perdeu tempo, correndo em direção à morte escaldante junto com os seus aprendizes druidas, mas não antes de despachar ordens para todos os integrantes da tribo. O trabalho coordenado dos Casco-Verdes conseguiu organizar rapidamente todos os habitantes da ilha, mesmo aqueles relutantes em abandonar suas florestas e suas fazendas. Deixando um pouco de lado o orgulho da sua raça, os centauros se permitiram serem montados, colocando na sua garupa aqueles incapacitados de fugir por conta própria, um ato empatia até hoje lembrado em tempos de animosidade e guerra.

Enquanto esse esforço heróico era feito pela sua tribo, um outro trabalho mitológico era feito pelos druidas liderados pela matriarca: tentar conter a fúria do vulcão. Muitos pereceram naquele dia virado noite, e canções da sua bravura ainda são ouvidas nas clareiras das florestas ancestrais, onde narram a batalha ferrenha travada contra a morte escaldante que rolava monte abaixo, que mesmo derretendo cascos, couro e carne não foi capaz de abalar a força determinada dos centauros druidas que protegiam suas terras e o seu povo.

Mas ainda assim a lava maligna continuava jorrando, e não parecia ter fim. Foi quando um vulto passou por cima de todos, como se estivesse cavalgando o esfumaçado ar infernal, dando vigor e energia a todos enquanto se dirigia para o topo do monte. Matriarca Elthavus foi vista pela última vez mergulhando na bocarra do vulcão vestida com uma espécie de armadura de casca de árvore. Uma casca de cor marrom escuro, com símbolos druídicos e incrivelmente resistente só podia ser a do carvalho ancestral e guardião de sua tribo, que fora nutrido durante gerações de Casco-Verde. Foi com a energia, o amor e o cuidado de milhares de centauros, materializado naquela armadura de carvalho, que a velha centauro aplacou a ira do vulcão, mandando a malignidade de volta para os confins da terra de onde nunca deveria ter saído.

A Epopeia de Elthavus ainda é narrada e transmitida dentro dos círculos druídicos e tribos centauros, elevando a matriarca à figura de uma heroína mitológica, símbolo do conhecimento, do mundo natural, e da bravura.